AVALIAÇÃO P2P - Análise Hertzberger

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ARQUITETURA E URBANISMO

FUNDAÇÃO PARA PROJETO - AIA

ALUNA: SOPHIA FREIRE CORTELETTI


         

                                                               AVALIAÇÃO P2P




Lições de arquitetura, escrito pelo arquiteto holandês Herman Hertzberger, é um livro com muitos tópicos, exemplos e imagens, que oferece algo semelhante à uma teoria, busca estimular estudantes e ajuda a despertar sua mentalidade arquitetônica. Durante esse texto eu irei analisar espaços do meu cotidiano de acordo com alguns dos conceitos abordados no livro. 


O meu quarto pode ser considerado um espaço privado, no qual o acesso é restrito à um pequeno grupo. Isso porque, mesmo que pessoas venham à minha casa, não são todas que chegam à área mais íntima do apartamento. Além disso, podemos abordar o conceito de zoneamento, trazido pelo autor como sendo a influência pessoal dos usuários nos ambientes arquitetônicos, já que o quarto pode ser considerado o único lugar da casa que realmente é só “meu” e, por isso, minha liberdade de ordená-lo e personalizá-lo me permite criar um espaço pessoal, o que ajuda também a entender que a responsabilidade de manutenção e cuidado é minha.

 - um exemplo disso é o fato de eu optar por decorar a parede com placas de meu gosto, as mesinhas de cabeceira com lamparinas diferentes, varal de fotos etc.


Aumentando a escala e analisando todo o espaço do apartamento em si, podemos perceber as demarcações territoriais existentes em seu planejamento. A maneira na qual as salas, a cozinha e a área íntima foram distribuídas permite distinguir que, mesmo o todo sendo um espaço privado, os dois primeiros (salas e cozinha) são muito mais públicos se comparados com o último - e isso acaba por ser uma convenção adotada e respeitada por todos. E o fato de esses espaços serem entendidos como “públicos” acaba por gerar um sentimento de coletivo e, consequentemente, um lugar de responsabilidade de todos que o frequentam. Ademais, outro fator de extrema importância que o livro aborda e é manifestado aqui em casa é o lugar e a articulação. Hertzberger fala “a primeira consideração de importância decisiva ao se projetar um espaço é determinar para que ele servirá ou não servirá, e, consequentemente, qual será o tamanho adequado. […] Atividades e usos diferentes exigem dimensões espaciais diferentes.” (pg. 190)  Ao entrar no apartamento se pode notar claramente que um grande retângulo foi subdividido em 3 partes, dando origem às salas de televisão, estar e jantar, o que possibilitou uma melhor distribuição de um ambiente que, se fosse apenas 1 espaço, teria pouca utilidade e desencorajaria o contato intenso.


Podemos analisar a escala do prédio sobre três conceitos: usuário a morador, “intervalo” e espaço habitável entre as coisas. O primeiro diz respeito à um “ninho seguro”, um espaço conhecido, onde sabemos que nós e nossas coisas estarão seguras e onde se pode concentrar sem ser perturbado. A área externa do prédio pode ser considerada um ninho seguro pelos moradores. Lá todos sabem que podem desfrutar e contribuir positivamente com o ambiente. O “intervalo” são condições que ajudam a manter o contato social com o mundo para além da casa. Como diz o autor, é a “reconciliação entre a rua, de um lado, e o domínio público, de outro” (pg. 32), possibilitando, ao mesmo tempo, a experiência do desconhecido e a segurança de estar em casa. Um exemplo de intervalo no prédio onde eu moro é a mureta do portão principal, onde dá para encostar ou sentar e ficar observando o movimento da rua ou, até mesmo, conversando com outras pessoas. Por último, o espaço habitável entre as coisas diz respeito à uma forma e um espaço com maior potencial de acomodação, tornando o espaço mais receptivo a diferentes situações, deixando de ter uma funcionalidade específica, rígida e inflexível. Um exemplo disso são as escadas da área externa que, para além de sua função “óbvia”, serve como um assento secundário, espaço para as crianças do prédio brincarem, para apoiar sacolas, bandejas entre outras possibilidades. Outro exemplo são as muretas, tanto do portão principal, quanto as que tem na área da quadra esportiva.


Por fim, no âmbito do prédio, temos a vizinhança. Tratando-se dos conceitos abordados no tópico da rua, infelizmente a que eu moro não pode ser analisada “positivamente”.  Mesmo tendo bancos públicos, o que estimularia a interação social, o fato de a rua  ser formada apenas por prédios, faz com que o contato entre os vizinhos seja baixíssimo, ainda mais que a antiga ideia de ter a rua como uma “sala de estar” se perdeu na sociedade contemporânea, na qual a grande maioria das pessoas ficam “presas” dentro de casa (antes mesmo da pandemia). Agora, nas ruas e quarteirões ao lado pode-se encontrar diversas galerias, que, segundo o livro, são “ruas internas de comércio cobertas de vidro”, e que se considera como uma forma intermediária entre público e privado. Isso nos leva ao tema do acesso público ao espaço privado. As galerias abrigam lojas de diversos departamentos e, mesmo não ficando aberta permanentemente, são espaços que recebem à todos, sem que tenham sido “convidados”, independente se seja para comprar ou apenas para passear pelas ruas estreitas e cheias de vitrine. 

Comentários

  1. Olá Sophia!

    Adorei o seu texto. Achei extremamente bem construído e objetivo. Consegui perceber que você entendeu os conceitos do Hertzberger e não teve muita dificuldade em traçar um paralelo entre as ideias do livro e seu espaço cotidiano. Você seguiu muito bem o enunciado da atividade, pontuou exemplos claros e conseguiu transmitir a ambientação em que vive. A única coisa que não consegui identificar foram considerações e propostas inovadoras na interpretação dos espaços, que são cobradas no conceito A, portanto seu conceito é B. Parabéns!

    Abraçooo!

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